Ponteiros, minutos, segundos. Tempo passa, passatempo.
Tic-tac, não vai dar. De novo. Condução lotada, bomba
prestes a explodir. Droga, já chegaram. Eu, ainda não.
Farol fechado. Uma gota de preocupação rola pela face.
Não vai dar.
Eles se reúnem, começam a operação. Ideias, palavras, folhas.
Eu vejo as folhas que o ônibus arranca das árvores. Sem ideias, sem palavras.
Não vai dar.
Um tranco, uma aceleração. Pode ser. Pode ser?
A imaginação voa longe, e os ponteiros param por um instante.
Chego.
Mais ideias, mais palavras, mais folhas, mais dúvidas.
Tá quase lá.
A operação segue, estão todos. Um calafrio de ansiedade sobe pela espinha.
Não pode explodir, temos de controlar.
Caminhamos, decidimos, suspiramos, hesitamos.
Tá quase lá.
Operação decorada. A confiança entra pelas narinas, estufa o peito, fortalece o passo.
Tá quase lá.
Quase.
Frente a frente com o objetivo, ele escapa por entre os dedos, escorre para baixo.
Bate a porta e foge pelo corredor.
Atônitos, corremos atrás dele.
Temos de chegar.
Os ponteiros param de novo. Prendemos a respiração por braçadas mais rápidas
Temos de chegar.
Última cartada...
Mas nada de Blackjack. Nada de Royal Straight Flush.
O tempo volta a correr como um meteoro, cai e explode. Voam destroços para todos os lados.
Não deu.
O objetivo olha para trás, cínico. Fuma um cigarro de superioridade. Hoje não, pensa. E sorri.
Não deu.
De novo, não, não assim.
Queria só voltar os ponteiros. Só um pouquinho. Por alguns milésimos.
E, no meio tempo, cortar uma palavra, editar um suspiro, acelerar uma hesitação.
Mas não deu. Explodiu.
Dos destroços surge uma roda.
A mesma roda.
E, dentro dela, os ratos voltam a correr.

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